Validação de indicadores

Em meu post anterior, metas e medidas de desempenho, abordei o tema indicadores de uma forma bem ampla e aspectos que devem ser observados na definição de indicadores. Esse é um tema que oferece muitas oportunidades de discussão, principalmente para quem está começando.

Uma vez definido e implementado os indicadores, um processo de comparação de resultados inicia-se e você vai avalia-los em relação a períodos anteriores e também frente as ações implementadas por você e sua equipe para o alcance da meta estabelecida.  Nesse movimento você irá observar se sua meta foi bem definida, se a metodologia que você utilizou para defini-la foi a mais adequada dentre outros detalhes. Essa reflexão poderá trazer importantes contribuições e melhorias no processo de gestão da informação.

É importante ressaltar que um indicador precisa também transmitir confiabilidade. Como você garante que a coleta de dados foi feita conforme estabelecido? O que você faria se uma medição sofresse uma alteração inexplicável? Uma alteração assim pode ter duas origens: a) houve mesmo um aumento ou queda da demanda ou em uma das variáveis mensuradas ocasionando a alteração ou, b) houve um desvio na consolidação dos dados. Como você vai demonstrar que sua equipe está atenta a isso, garantindo assim a confiabilidade do indicador? Qual evidência objetiva será apresentada frente a um questionamento?

Uma nova coleta de dados, seguindo rigorosamente a descrição contida na ficha do indicador e realizada por outra pessoa não envolvida no processo irá demonstrar o que de fato ocorreu. Isso é uma validação. Segundo a Anvisa validação é o “ato documentado que atesta que qualquer procedimento, processo, equipamento, material, atividade ou sistema realmente e consistentemente leva aos resultados esperados”.

A partir deste diagnóstico e análise estará demonstrada a confiabilidade do resultado apresentado. Como mencionado acima a validação é bem ampla e não se restringe a indicadores, se aplica também a processos, projetos e sistemas.

Por que é recomendado que outra pessoa, não envolvida no processo, realize a validação? As vezes estamos tão acostumados com uma atividade que a realizamos quase que mecanicamente. Outro olhar poderá estar mais atento aos detalhes que passaram, assim como poderá ter ideias para melhorias no processo.

Na validação de indicadores, uma alteração inexplicável no resultado não seria o único motivo para iniciar uma validação. Mudanças da fonte de dados (a coleta era manual e passou a ser informatizada, por exemplo), troca da pessoa responsável pela coleta de dados, publicação dos dados internamente ou na internet  e mudanças no escopo do indicador também são motivos para a validação.

Por onde começar? Crie um formulário para o registro da validação com campos adequados para contemplar cada uma das situações previstas e também para ações desencadeadas após a validação. Essas ações podem ser desde a correção da medição registrada inicialmente, melhorias na ficha do indicador (descrição de como será realizada a coleta de dados ou atualização da fonte de dados), entre outras. Cada realidade é única e o processo deve retratar a sua realidade. Lembre-se, um processo também passa por revisões e elas podem ser iniciadas a qualquer momento, são sempre bem-vindas.

Registre sistematicamente cada validação realizada e não esqueça de verificar se houve alteração nos resultados, pois este dado pode ser revelador com o tempo. Depois de um período você verá quais são os motivos mais frequentes e poderá propor novas ações.

Tem alguma dúvida sobre esse tema? Comente o post que nós teremos o prazer de saná-la!

 

Referências:

Brasil, Ministério da Saúde. RDC N 17 que dispõe sobre  as boas práticas de fabricação de medicamentos. Disponível em: https://bit.ly/2k11Oct

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